Como filho mais velho de Benedito Costa Leal e Marinha de Araújo Leal, ambos já falecidos e pelos fatos que possivelmente fugiram-me à memória, descreverei a seguir, embora que de forma resumida, a biografia do meu pai.
Benedito Costa Leal era de origem paraibana, nasceu em Pocinhos, município de Campina Grande-PB, no dia 22 de novembro de 1907. De origem pobre sua família era pequena, pois seus pais, Gonçalo Costa Leal e Hermínia Josefa da Conceição só tiveram três filhos: Lourival Costa Leal, Benedito Costa Leal e Waldemar Costa Leal, todos já falecidos. Ficou na sua cidade natal até a sua adolescência. Seu pai tinha muita vontade que Benedito conseguisse sua independência financeira, o incentivou no estudo e com muito sacrifício levou-o a concluir o curso primário, pois o mesmo tinha que ajudar a família no trabalho pesado do campo, o que não era a sua vocação.
Ao completar 18 anos, deslocou-se até Campina Grande a procura da sua tão sonhada independência. Foi a Inspetoria de Trânsito (nome dado ao órgão na época), fez os exames e tirou a sua cata de chofer em 1928, iniciando sua profissão ao lado do pai do Sr. Sebastião dos Santos, residente na cidade de Caicó, dono da Casa Paraibana, conhecido como “Basto da Viola”.
Em seguida trabalhou com o Sr. Venâncio Zuza, viajando pelo Brejo Paraibano e por força do seu trabalho foi residir em Soledade-PB, fazendo a linha Caicó-RN e São Bento – PB.
Chegou em Caicó no ano de 1937 e veio trabalhar com o Sr. Irineu Canuto, homem rico na região naquela época. O Sr. Irineu tinha o comércio de atacado de secos e molhados, viajando para Campina Grande. Nessa época só tinha dois choferes em Caicó, ele e o Sr. Doda, que davam duas viagens por dia em Campina Grande, apesar das estradas de terra, estreitas e muito perigosas.
Depois foi trabalhar com o Sr. Inácio Gabriel da Silva, conhecido como Inácio Pereira, fazendo as feitas de Patú, Belém de Brejo do Cruz e outras.
No ano de 1940, comprou o seu primeiro caminhão de marca “GMC’’ ao Sr. Irineu Canuto e iniciou as viagens para Recife PE, lá ele se hospedava na Pensão Universo localizada à Rua do Rangel. 25, pertencente ao Sr. Manoel Vitoriano Fontes, conhecido por Bedé, pai do Dr. Dirceu Pereira fontes e Vânia Pereira Fontes. Na pensão ele tinha um quarto cativo pois naquela época era ele quem levava o dinheiro de todos os comerciantes de Caicó, para fazer pagamento em Recife, já que naquela época não havia as facilidades de hoje na transferencia do dinheiro. O dinheiro era levado em folgadas bermudas de bolsos grandes, para evitar roubo durante o seu trajeto de Caicó a Recife. Até então, Benedito era solteiro. Aos 34 anos conheceu Marinha Soares de Araújo, filha do Sr. José Soares de Araújo e Maria Umbelina de Araújo. Dois anos mais tarde, no dia 02 de janeiro de 1943, casaram-se e tiveram inúmeros filhos, mas só criaram (09) nove a seguir: Marinito Leal de Araújo, Marinete Leal de Araújo, Marilene Leal de Araújo (falecida), Benedito Leal de Araújo, Gonçalo Leal de Araújo (falecido), Marineide Leal de Araújo, Marcelo Leal de Araújo, Marcílio Leal de Araújo e Mário Leal de Araújo (ambos falecidos).
Vivendo de Fretes, diversos comerciantes da região fretavam seu caminhão de Caicó para Recife assim ele transportava uma imensa quantidade de produtos da terra como queijo, carnes, manteiga da terra, lingüiça de porco, creme, nata e outros que tinham uma grande aceitação no mercado de Recife, dada a ótima qualidade dos produtos levados. O caminhão era fretado pelos seguintes senhores de Caicó para Recife; José Milton de Araújo, Francisco Albino residente em São Bento-PB, Nezinho Ageu, Marcolino Francisco do Nascimento, Ary Torres de Araújo, Silon Batista de Araújo que fazia a sua própria mercadoria e era considerada a melhor mercadoria levada até Recife. Houve outros que não me recordo no momento.
Também trazia de Recife para Caicó uma grande variedade de mercadorias TECIDOS para Quincó Lima, Lacordaire Diniz, José Lázaro de Araújo, Florizeu Eloi de Medeiros, Cloves Medeiros, Velho Chico, Nezinho Vicente dentre outros. FERRO, José Paulo Filgueira, Nabor Batista de Araújo, José Cassiano de Góis, P. Araújo, Francisco Honorato de Medeiros e Berto da Fábrica de molas, dentre outros. TRATAMENTO D’ÁGUA: Toda a mercadoria destinada ao tratamento de água de Caicó era trazido por ele. MEDICAMENTO: Lino Guerra, José Gurgel de Araújo, Joaquim Aurélio de Araújo, Mário Gonçalves, dentre outros; PEÇAS PARA AUTOS, PNEUS: L.Cirne, Hermínio Gomes de Oliveira, Adroaldo Fonsêca, representante da Chevrolet naquela época, Dilma Dantas (falecido).dentre outros; CAFÉ: Camilo Garcia Dantas e José Brito. PLÁSTICOS: Cloves Medeiros, Velho Chico, dentre outros. SAPATOS: Valdemar Cordeiros Vale, e Joaquim Fernandes de Silva. MACARRÃO ENLATADOS: José Milton de Araújo, Wilson Dantas de Medeiros e Abraham. Como esse comércio foi crescendo ele criou a empresa de transporte de cargas denominada “TRANSPORTE FIEL DE BENEDITO LEAL”. Essa empresa tornou-se mais tarde, empresa de transporte de cargas e passageiros.
Benedito Leal, apesar de só ter o curso primário, era um homem muito inteligente, pois lia muitos jornais e revistas diversas, sendo assim um homem atualizado. Era muito trabalhador e tinha grande coração, pois ajudava a todos que conviviam com ele, desde que precisassem.
Vários comerciantes da região foram beneficiados diretamente pelo trabalho de Benedito Leal e tinha alguns inclusive que recebiam mais do que o trabalho de transporte, como foi o caso do Sr. Camilo Garcia que comerciava com café. Na época ele não possuía os bens que tem hoje. O IBC somente dava a ele uma quota mínima de 50 sacos de café por mês, o que era muito pouco, tendo em vista a grande demanda do produto. Com a sua habilidade para negociar, Benedito conseguiu junto ao IBC aumentar a quota do Sr. Camilo e graças ao seu trabalho, hoje é a potência que é. Outro exemplo foi com o comerciante José Ribamar Leite, que no início era apenas um mecânico de eletrodomésticos. Benedito Conseguiu crédito junto a várias empresas de eletrodomésticos como a Cônsul, Brastemp, Prosdócimo o outras. Hoje Ribamar é o maior comerciante do ramo na cidade e na região.
Inúmeros setores da e economia de Caicó e de outras cidades circunvizinhas tiveram a contribuição de Benedito Leal, até peças para a primeira loja de automóveis da Wolksvagem que funcionava onde hoje é o (Bradesco) e para outras lojas de autos foram transportadas por ele.
Também na diversão da garotada e dos adultos a “Transporte Fiel de Benedito Leal” teve sua atuação, pois os filmes exibidos no primeiro cinema de Caicó, o Cine Pax, de propriedade do Sr. Clóvis Medeiros, pois todos os filmes exibidos em sua tela foram transportados por ele.
Benedito procurou dar o melhor a seus filhos e preocupado com o seu futuro colocou-os na melhor escola a cidade para fazer o Curso Primário no Externato São Francisco de Assis cuja Diretora era a Srta Maria de Lourdes Medeiros e para fazer o ginasial fomos estudar no GDS Ginásio Diocesano Seridoense, na época era e internato onde vinham aqui estudar alunos de outros estados inclusive e cujo direto e o Mons. Walfredo Gurgel, desta maneira oferecendo-lhes oportunidades para que estes pudessem construir de forma sólida a sua independência. Homem de coração generoso, ele também se preocupava com a família de sua esposa Marinha e proporcionou a alguns adquirirem a sua independência sócio-financeira. Seus filhos, fra’[cas a sua preocupação e orientação conseguiam construir a sua independia e formarem a sua família. Marinito é hoje um funcionário aposentado do Banco do Brasil, Marinete que terminou em Caicó o Curso Normal, cujo diretor era o Padre Galvão, formou-se em filosofia e hoje faz História em Catalão GO, onde reside,, possui o mais conceituado salão de beleza da cidade, Gonçalo Leal também reside em Catalão-GO, é técnico em mineração, ocupando um posto de destaque na empresa em que trabalha, Benedito é um conceituado funcionário público federal, trabalhando no Batalhão de Engenharia como soldador e burocrata, Marcelo Leal, é técnico em computação, trabalha no estado na DATANORTE, como chefe de seção.
Voltando a falar sobre a sua versatilidade na luta pelo sobrevivência, ressalta-se aqui a ampla visão empresarial de Benedito Leal, pois este começou a sentir a necessidade de trazer para
Caicó o maior veículo de comunicação da época, a imprensa escrita, montando assim o primeiro comércio de revistas da cidade, que era feito de forma ambulante, pois a cada dia Marinito (seu filho mais velho) e Gevani Aureliano de Araújo (sobrinho de sua esposa) armavam a venda de revistas no lugar onde o fluxo de pessoas era maior, como também vendiam o produto em casa. Com essa idéia cresce a renda da família como também cresce a cidade que ganha um ponto a mais no sentido do progresso.
Caicó o maior veículo de comunicação da época, a imprensa escrita, montando assim o primeiro comércio de revistas da cidade, que era feito de forma ambulante, pois a cada dia Marinito (seu filho mais velho) e Gevani Aureliano de Araújo (sobrinho de sua esposa) armavam a venda de revistas no lugar onde o fluxo de pessoas era maior, como também vendiam o produto em casa. Com essa idéia cresce a renda da família como também cresce a cidade que ganha um ponto a mais no sentido do progresso.
Em 1953, mais uma vez, Benedito percebe a necessidade de um transporte coletivo para a cidade de Caicó. Comprou um caminhão longo de marca FARGO, transformando-o num misto e passou a transportar além das cargas, passageiros. O caminhão tinha capacidade para 17 passageiros que eram conduzidos até a cidade de Recife-PE. Foi Nessa época que ele colocou motoristas para dividir com ele a responsabilidade de transportar as pessoas e mercadorias. Teve bons e competentes parceiros de viagens, como Chico Ventania, Manoel de Souza, João de Veneranda, Girafa e outros.
Dentre os serviços prestados a Caicó, tem uns que merecem destaque, Foi Benedito que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Sant’Ana que foi colocada no Arco do Triunfo. A imagem foi Transportada de Três vezes, tamanho é o peso da mesma. Foi ele também que trouxe para Caicó o relógio e as telhas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a estátua de Mons. Walfredo Gurgel e a toda a usina do Sr. Jose Diniz, onde hoje funciona a COACAL
Em 1957, começa a aparecer os sinais de cansaço e ele já pensando em aposentar-se leva a Recife o Sr. Adonias Bento de Morais para aos poucos, assumir a linha de transporte por ele construída.
Em 01/09/69, recebeu da Câmara Municipal, o Título de Cidadão Caicoense das mãos do então Prefeito o Sr. Francisco de Assis Medeiros, com muita emoção.
Não posso esquecer de frisa que Benedito era o condutor de dinheiro e feiras para os acadêmicos que estudavam em Recife, tendo em vista que as faculdades de Natal eram muito fracas e as famílias mais ricas colocavam seus filhos para estudarem em Recife.
No ano de 1972, Benedito Leal Aposenta-se e para não ficar parado, já que era um homem muito ativo, ficou viajando dom o seu filho mais velho Marinito, então fiscal do Bando do Brasil. Viajou durante três anos e nesse período sua saúde começa a dar sinais de alerta. Talvez em decorrência dos 28 acidentes sofridos durante a sua longa carreira de motorista, o quadro se agrava e em 1981, teve derrame de pleura que o fez passar momentos muitos difíceis. Vários outros órgãos foram apresentados deficiências, o quadro foi se agravando e infelizmente no dia 04 de maio de 1982, ele veio a falecer, deixando muitas saudades e lembranças boas que nunca se apagarão do coração dos seus filhos e de todos que direta ou indiretamente foram beneficiados durante sua existência.